Às 17h05, a marca Maria Bonita deu inicio às obras na sala 01 do prédio da Bienal, na São Paulo Fashion Week. No cenário de Daniela Thomas, tapumes de madeira. Na trilha sonora, Construção, de Chico Buarque de Holanda - aliás, este era o mote da coleção outono-inverno 2011 da marca: "uma interpretação mais humana da construção de Brasília", cidade de concreto que fez o artista Athos Bulcão se apaixonar pela ausência de paisagem.
Desta concretude humana, quartetos e trios de modelos-candangos (trabalhadores responsáveis por erguer Brasília) juntavam força para desenhar o novo, para fomentar a nova civilização traduzida nas peças de Maria Bonita. Uma certa construção desconstruída era a argamassa de peças de cerâmica, com aspecto de concreto e pedras aplicadas sobre a malha de lã, ou era resina craquelada. Ainda, casaco carregado como bolsa, vestido-bolsa, saia-bolsa - uma profusão de referência à imagem dos responsáveis pela mão de obra daquela que se tornaria a capital do Brasil.
O azul vinha do céu, o tom marrom, da terra, e os chapéus modelados tal como se tivessem sido ressecados pelo sol, além de carteiras de metal, marmitas. A poeticidade da coleção da equipe de Danielle Jensen avançou as fronteiras para "embotar os olhos de cimento e lágrima" para alcançar um balé coreográfico na forma como as modelos-candangos se conduziam na passarela.
A música de Chico acaba. Silêncio. Danielle Jensen aparece discretamente. Conclusão: Maria Bonita subiu sua construção como se fosse sólido. Não, foi uma construção sólida.
A Maria Bonita foi fundada no Rio de Janeiro, em 1975, e desfila na SPFW desde 2006. Após a marca, apresentam suas coleções neste quarto dia da SPFW Ronaldo Fraga, V.Rom e Reserva, este último com uma versão ao vivo do músico Lobão para o hit Decadence Avec Elegance.
A SPFW está completando 15 anos em 2011. Desde o início desta 30ª edição, grandes estilistas do País já apresentaram suas peças, como Reinaldo Lourenço, Alexandre H
Nenhum comentário:
Postar um comentário